30 maio 2008

Diálogo do dia - A promessa

O cunhado: Rapaz, meu cunhado queria tirar a carteira de habilitação e resolveu fazer aquelas promessa de doido...

Sujeito sentado ao lado na sala de espera: Ir pra Trindade a pé?

O cunhado: Isso. Aí o cara conseguiu passar e agora veio me chamar pra ir junto. Cê tá é louco!

Sujeito sentado ao lado na sala de espera: Aí cê num vai não?

O cunhado: Eu? Rapaz, quem pariu Matheus que o embale!

Sujeito sentado ao lado na sala de espera: rarara.

O cunhado: Aquilo lá é longe absurdo.

Sujeito sentado ao lado na sala de espera: Pois é, se ainda pudesse beber uma pinguinha lá nas barracas ajudava a ir no santuário, mas proibiram...
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28 maio 2008

O que sei sobre o mau humor

Se perguntarem o que me causa mau humor, serei direto e reto como um espinho na garganta: o próprio. Sentir o hummoris malefius de outrem, me permitam, é um pé no saco. Isso prova o quanto a moléstia é contagiosa e até mesmo pegajosa. É comum você sair bem melecado depois do contato com algum enfermo. Eu até resisto, confesso ter certa imunidade, mas o perigo é a insistência. Aí não dá, eu mal-humorizo por um momento pelo simples fato de haver mau humor nessas terras. Tudo bem, entendo os que pegam o mau humor passageiro como se fosse um resfriado. A vida não é sempre uma maravilha mesmo. Um dia ou outro, horas, um minuto de pá virada é aceitável. Mas me refiro mesmo ao mau humor congênito. O mau humor não é pecado, mas deveria ser. E apesar de não ser pecado está ligado, costurado ou linkado - como diriam os palestrantes de cursos de gestão - a outros pecados. Paro e faço um parênteses (quem inventou os pecados foi esperto. Já notou como todos os defeitos humanos são filhos de algum deles?). Então, o mau humor é filho da preguiça (a mãe) que acasalou com a inveja (o paizão). O mau humor é a preguiça de sentir alegria. A apatia de levantar a bunda do sofá do cotidiano e ir ali buscar um sorrizinho. A falta de vontade de levantar a cortina escura que cobre os fatos e descobrir uma janela aberta, o outro lado. Tem gente que lambeu limão e o gosto nunca saiu da boca. Por isso, a cara feia, de que está sempre com um azedume entre os dentes. Nesses casos o mau humor causa uma paralisia nos músculos faciais. Deve doer bastante a tentativa de um sorriso. É a preguiça de ser minimamente agradável e, nesse quesito, os genes de mamãe e papai se misturam. Isso mesmo, não vamos livrar o paizão da jogada. O filho é teu invejão! Poxa, concorde comigo, sentir inveja é algo além de desejar o que o outro tem, é sim desejar que o outro não tenha o que ele já tem, terá ou sempre terá. E nisso o mau humor é a cara escarrada do papai. Corrosivo. Estragar o clima de amenidade social, por exemplo, é algo fácil. Há gente talentosa no negócio. Uma frase, uma resposta cortante, uma indireta afiada, uma lembrança impertinente, uma reclamação constante ou sem razão. Imagino uma cena. Imaginem comigo: o bom humor e o baratão coletivo são a priminha que vem correndo e mostra o vestido novo pra outra, branquinho, limpo e passado. Ela tomou banho, vai passear com a família. Saltitante. A outra priminha é o mau humor que prepara um chute na bunda da outra. A marca da patada, a pegada, será levada adiante. Não confunda o mau humor com a tristeza. Eles são irmãos. Não confunda o triste com o mal humorado, apesar de serem farinha do mesmo saco. O triste não tem nada contra a alegria. Ele a quer, deseja, inclusive. Mas ainda não aprendeu a ser feliz. Não sabe. Alguma coisa no sentir tristeza lhe dá prazer e de alguma maneira substitui o que a felicidade poderia lhe dar. O depressivo paralisa a vida. O mal humorado não. Ele é o anti-baratão. Ele segue a vida, tem até amigos, mulher, emprego, mas não vê graça nenhuma em nada disso. Ao contrário, reclama de tudo, em excesso. Ele pode ser feliz, até sabe o que é isso. Inclusive, alguns mal humorados são pessoas engraçadas. Mas preferem fazer bico. Reclamar. Tem gente que é loira, outros são mal humorados.
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27 maio 2008

Diálogo do dia - A caça-vampiros do soul-pop-retrô

Digníssima: Eu e a Fernanda combinamos que vamos no show da Amy Winehouse.

Eu: Ah, é? Quando?

Digníssima: Ah, quando tiver...

Eu: A nova da Amy Winehouse foi antender uns fotógrafos só de sutiã e ainda pedir uns trocados pra eles.

Digníssima:...

Eu: ou o negócio agora é a Duffy.

Digníssima: Que Duffy o que..! Nunca vou ouvir alguém que tem nome de caça vampiro.
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26 maio 2008

Diálogo do Dia - É tiro no mosquito

Eu - e aí, beleza? tudo bem? tudo bem?

Três senhores conversando no estacionamento: Bão! E aí? Boa tarde!

Eis que escapa uma frase

Zelador: ... pois é... eu vou é arranjar uma espingarda pra acabar com esse mosquito da dengue...

Eu (penso): Essa vai pro diálogo do dia.
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25 maio 2008

Bota a lenha, maquinista!

"Da janela desse trem vejo novas histórias. Imagino histórias fantásticas mesmo sabendo que a realidade já é bastante absurda. Tudo se mistura. Ficção e realidade são os passageiros desse trem de doido."

Foi desse jeito que em um domingo, dia 22 de fevereiro de 2004, eu apresentei o novo blog que escrevia. E é assim também que o reapresento em um outro domingo. O Trem de doido é o mais representativo e resume melhor as coisas que já escrevi em blogs. Sempre foi um dos mais divertidos. Essa a principal razão de seu retorno.

A idéia primeira é não deixar o trem ficar desativado. O resto vai chegando aos poucos. Esse trem não tem estação definida. Pode desembarcar em uma frase, um diálogo surreal (e real), uma crônica, um desenho, uma observação. O que vale é deixar registrada a vida dos dias que virão como se fosse uma fotografia de uma viagem. Os lugares sempre voltam.
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