30 março 2016

O Trem de Doido está voltandoooooo...



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03 maio 2012

Diálogo do dia - Todo mundo tem um lado

    Sujeito 1 - rapaz, todo mundo tem um lado. o pinto tem lado. pra que lado o pinto fica?

    Sujeito 2 - o meu fica pro lado esquerdo, sempre, se mudar me sinto mal, quero dizer, ele.

    Moçoila presente - credo gente, que papo!

    Sujeito 1 - ah...bom, o meu é pro direito.

    Moçoila presente participando - mas fica torto?

    Sujeito 2 - é torto.

    Moçoila presente se repreendendo - ah não, pára com esse assunto!

    Sujeito 2 - na verdade o meu tá pra ali agora. Ali, ó, noroeste, isso, meu pinto sempre indica o noroeste...se eu seguir seus desígnios vou parar lá no Acre.

    Sujeito 1 - e eu na Ilha de Marajó.

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19 abril 2012

Quem é Robin?



Lembram no “De volta para o Futuro”, quando o Marty McFly começa a olhar pra foto dele e notar que está sumindo? Então, Marty estava começando a desaparecer. A partir dali, ninguém mais poderia dizer nada sobre ele, seria um desconhecido. Dia desses eu notei que a mesma coisa acontece com o Robin. Se quando você leu esse nome identificou que falamos do parceiro do Batman, pode continuar a ler. Se não reconheceu, vai achar estranho o texto.
Tudo começou com as piadinhas. Um cara mais velho andando por aí com um adolescente. Os dois vestindo fantasias. Um de morcego e o outro uma roupa estranha – alguém sabe a origem? - com uma sunga de escamas e uma camisa pólo abotoada até o gogó. O pessoal começou a questionar a masculinidade do Batman.
Mas não sei quando começaram a questionar isso. Acho até curioso, porque se na década de 60 as coisas eram mais reprimidas e os gays teoricamente tinham mais problemas, na época o Robin andava por aí, aparecia nos gibis e no famoso seriado da TV.
Quando eu era moleque, na década de 80, o Robin também estava lá. E não me lembro de nenhum comentário sobre uma estranha relação entre os dois e nem mesmo ninguém gostava menos do Batman porque havia o ajudante.
A coisa começou a desandar de vez de uns 20 anos pra cá, com os filmes. Acho que algum figurinista deve ter achado horrível a sunga verde do Robin. O fato é que se o Batman tem a roupa preta, uma máscara com traços fortes e um perfil dark, o Robin parece mais os personagens que ficaram no passado. Com sua roupinha colorida, sua máscara que só tapa os olhos e seu lado engraçado: a voz de menino que colocava “santa” em toda exclamação.
É coisa demais. Nosso tempo não aceita tudo isso. Um menino parceiro de aventuras de um adulto, todo mundo sempre vai desconfiar. Além de tudo, o Batman hoje tem de ser um cara solitário de dar dó. Talvez um dia desses alguém divulgue aí que o Robin vai voltar em algum filme. Certamente colocarão o moleque mais revoltado, com uma roupa diferente. Mas por enquanto, deve demorar.
Pra vocês terem ideia de quanto Robin está sendo excluído, o Christian Bale, o atual Batman dos cinemas, disse recentemente que sai do projeto se inventarem de colocar um Robin. Santa perseguição!
Além disso, dia desses, eu tive a prova de que realmente o Robin está sumindo. Fiz uma matéria sobre os super-heróis preferidos da molecada. Quando perguntei a um garoto de 8 anos, fanzaço do Batman, se ele também gostava do Robin, ouvi: quem é Robin?
É bom lembrar que em 1990 uma banda de dance music brasileira se perguntava “Que fim levou o Robin?”. A letra sofrível tenta decifrar por onde o ajudante do Batman: “Santa interrogação, onde será que ele foi? Será que ele sumiu ou será que assumiu? Ele foi abandonado e seu coração partiu, E agora trabalha no Mc Donald's do Brasil?”.
Com a exclusão de Robin dos filmes e gibis, a pergunta da então “moderna banda de dance music brasileira” continua valendo.








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16 abril 2012

Estação ciclotímica: Cowboy Junkies - Come calling

A voz feminina mais bonita da música. Fosse só por isso já merecia atenção, mas as composições estão à altura da moça e a banda também. Tocam de leve, fazem a cama certa pra voz suave de Margo Timmins. Cowboy Junkies sempre rola aqui.

Essa, Come calling, é do álbum Lay it Down. Bom do início ao fim.


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12 abril 2012

Película - Armando, o sacana

Armando botava água na cadeira da professora pra que ela ficasse com a bunda molhada durante a aula. A sala ria. Ele ficava impune. Armando escondia a dentadura da vó, roubava do pai. Armando traía todas as namoradas. Armando roubou o emprego de um amigo. De dois. Armando sempre foi um filha-da-puta. Armando sempre foi amigo dos honestos e aliado aos sacanas. Muitos já o conheciam de verdade. Todos esperavam pela justiça. Armando tem grana, viaja muito. Armando é invejado por todos que dizem: um dia ele se fode. Um dia a casa cai.

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11 abril 2012

nem Hai, nem Kai - Pingo colorido

O instante branco coloriu

com um pingo de gente

beijando meu rosto

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10 abril 2012

Estação ciclotímica - Joe Harriot e John Mayer

O que poderia ser uma presepada grande, acabou se tornando um discaço, com músicas geniais. Misturar jazz e música indiana. Foi isso que o indiano Joe Harriot e o saxofonista jamaicano Joe Harriot fizeram em 1968. Pra quem tem os ouvidos cansados de ouvir o comum, esse disco é perfeito. Não paro de ouvir.


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25 fevereiro 2012

Diálogo do Dia: O Rei lá em cima, a velha no chão

Velhinha transeunte: Que que tem aí?

Eu (sentado dentro do carro, olhando pra uma janela do sétimo andar de um edifício): Ah, é...

Velhinha transeunte: Menino, uma vez eu tava no Centro e tinha um monte de gente em frente a um hotel, todo mundo olhando pra cima.

Eu: muita gente?

Velhinha transeunte: Gente demais! Era em frente a um hotel. Eu comecei a olhar pra cima também pra ver que que era. Fui olhando olhando e aí vi, e quando vi que era o Roberto Carlos eu já tava caindo no chão porque tropecei numa pedra. Ele tava na janela.

Eu: Ih, a senhora então nem gostou mais dele depois disso.

Velhinha transeunte: Não, eu nunca gostei, não.

 

 

 

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30 dezembro 2011

Próximo!

2011 já agoniza.

Próximo.

Na tarde dessa sexta-feira tudo está suspenso. No ar. Quem ainda trabalha é um zumbi.

Quem não trabalha, está em um lugar onde não estou.

Espero que longe de um computador. E da internet.

Pros zumbis, um recado de Ferris Bueller.
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20 dezembro 2011

Divulgada a foto do consultor de choro da população norte-coreana

Já foi divulgado quem foi o consultor que ensinou a população norte-coreana a chorar a morte de Kim-Jong II.

Para ver a atuação da população, clique aqui

E aqui você descobre quem foi o ator contratado para prestar a consultoria de desespero e choro.




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26 novembro 2011

O que sei sobre música ruim

- Todo carro que passa com som alto, toca música ruim
- começou de cara com o refrão, a música é ruim
- música ruim não quer sair da sua cabeça
- música ruim sempre vai parar no Faustão (e eles ainda legendam o troço)
- parece que você ouviu várias vezes antes: é música ruim
- sertanejos e suas versões conseguem deixar uma música ruim pior ainda
- funk não é música ruim porque não é música
- Perna cruzada, violão nos braços, diz que faz “MPB”...
- Todo hit do verão é uma música ruim
- Axé consegue ser ruim desde o título (“desce a mãozinha”, “mexe, mexe, vai”... coisas assim)
- Incrível como universitários adoram uma música ruim
- Toda música ruim ao vivo tem por baixo o som das fãs gritando
- Toda música ruim é feita pra ser um sucesso
- Caetano aprovou? A música é ruim.

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25 novembro 2011

Diálogo do dia: taxista despachante de gente

Um taxi para ao meu lado no sinal.

Taxista: Oi, tudo bão? Mora aqui mesmo?

Eu: Moro.

Taxista: Então, temos dois serviços aqui (mostrando dois cartões). Um é de guincho. Se você bater o carro, tiver um problema - espero que nunca precise - mas se precisar, tem o guincho, ó. Em qualquer lugar que você estiver, vamos lá, buscamos, pronto. O outro é o radio-taxi rodoviária. Precisou ir para a rodoviária, é só chamar, já compramos a passagem e levamos até lá. Sabe o parente que não quer ir embora da sua casa?

Eu: Ahn?

Taxista: então, agora não tem desculpa. Não vai poder falar: ih, tia, não tinha a passagem, voltei. Não tem essa desculpa, é só fazer a mala deles e mandar embora. Beijim, beijim, tchau, tchau.

Eu: Esse é bom, hein?

Taxista: é, demais! Se tiver mais gente precisando, é só me indicar!

E lá se foi.

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04 novembro 2011

Diálogo do dia: Bananas

Eu: Alô!

Leitor: Alô, tudo bem?

Eu: bem.

Leitor: Olha, eu tenho dois restaurantes, um aqui e um no Pará. tenho umas terras também.

Eu: Ahn.

Leitor: Li aqui as matérias de vocês, muito bom viu. Adorei essa matéria da banana. Muito boa. Escuta... eu queria o contato do cara aqui da matéria.

Eu: Se o senhor olhar aqui logo na página dois, vai ver que tem os contatos...deixa eu checar... aqui, ó, a repórter colocou.

Leitor: Ah! rapaz, tô vendo aqui. Brigado!Escuta... vai lá no meu restaurante depois. Procura a Sheila lá, minha esposa... mulher enjoada...nossa senhora... ó, mas brigado então!


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11 agosto 2011

Diálogo do dia: Vai dizer o que?

Viatura da polícia para no semáforo. Duas pessoas estão presas, um homem e uma mulher. Estão sentados no bagageiro de um Palio, com a cara no vidro traseiro.
Ao lado uma Saveiro para.

Motorista da Saveiro: (gesticula em direção aos presos. faz gesto de grade)

Presos: (balançam a cabeça)

Motorista da Saveiro: (com o polegar, faz o gesto de quem está bebendo)

Presos: (balançam a cabeça negativamente)

Motorista da Saveiro: (com uma mão fechada, soca na palma da mão da outra)

Presos: (de novo, balançam a cabeça negativamente)

Motorista da Saveiro: (a palma da mão esquerda pra cima sustenta o polegar da mão direita, que abre e fecha, várias vezes, como se varresse a outra mão)

Presos: (sim. foi roubo).

Todos riem.

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02 agosto 2011

Película - Os caras

Calça social, sapato, gravata, enfim, vestido para o trabalho. O primeiro estava em um hotel mais afastado. Veio com cara de morsa. O segundo, demorou a aparecer, pra variar, era o segundo. Sempre o segundo fode tudo. Depois de algum tempo, veio com sua cara de areia mijada e pediu desculpas. O terceiro e o quarto vieram rápido, esperavam na porta. Caras de nerd da porra. O quinto destoava do resto. Tinha barbicha e entrou comendo uma maça. Cara de publicitário ou jornalista. O celular não parava, eu precisava correr. Sorte do dia, os outros dois eram próximos do evento. E lá vieram eles. Um tinha cara de mordomo e cegonha, ao mesmo tempo. O outro, era cearense. Pronto. Sete homens e um destino só. Dia de sorte mesmo. Agora é esperar na van até a volta.

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30 julho 2011

Grandes Momentos da Humanidade: Apocalypse Now + The Doors

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Diálogo dio dia: Combustível clandestino

12h14, calor da porra na cidade.

Sujeito que parece personagem de filme nacional dos anos 70: Rarara, vamo lá!

Eu (parado esperando minhas marmitex no restaurante): Ahn?

Sujeito: Tô aqui escondendo da polícia, ela não pode me ver.

Eu: Ah, é?

Sujeito: Tenho que abastecer o combustível no clandestino.

Eu: Sei (??)

Sujeito (cheio de dentes, camisa com botão aberto e pulseira dourada, recebe um copo cheio de pinga do garçon): AHHHHHH!!!!

Eu: ?!

Sujeito (estala os dedos): Bora!
  
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26 julho 2011

As pernas da Branca e um conselho de pai

Muitas são as opressões na vida do homem. Desde a infância. O absurdo número de 'nãos' que a gente recebe desde bebê, talvez, corte todas as possibilidades da existência de um ser completamente feliz. A gente não pode comer isso, não pode "ir lá não", tem o famoso "ó, é feio fazer isso no tio" quando você puxa a barba do sujeito desconhecido que fica fazendo careta pra você rir. A gente, principalmente, não pode pôr a mão nos lugares. Sejam esses lugares os mais variados. Me lembrei de uma história da minha infância, não acho que seja relevante para esta crônica contar isso - e se for relevante descobrirei mais à frente -, mas o texto é meu e eu faço o que eu quiser, não é verdade? Então, na minha casa trabalhava uma empregada chamada Branca (não sei se isso era apelido, mas ela tinha características alvas mesmo). Eu devia ter lá pelos 3, 4 anos de idade e exercitava na Branca a lição de por a mão em lugares proibidos. Não, a coisa não era tão avançada como suas cabeças sujas pensaram, e eu sei que pensaram. Eu simplesmente adorava passar as mãos nas pernas da Branca. É sério, engraçado, mas sério. Não sei se tinha algum caráter sexual nessa história, prefiro acreditar que era simplesmente um exercício de textura e identificação de objetos. Exercício inerente aos animais recém nascidos. Cachorros cheiram as coisas, a gente passa a mão. E só. Afinal, eu lá brincando no chão, olhava pro lado e quando via as pernas brancas da Branca não podia adivinhar a indecência do meu gesto, quase científico. Me lembro de ter sido repreendido pela ação, mas, mais por gozação do que por autoritarismo. Parei de passar a mão nas pernas de Branca não por imposição, mas porque riam de mim. É aqui que eu quero chegar - e realmente descobri a relevância da história infantil -, quero falar do riso proibidor, do riso desmoralizante, da chacota humilhante, enfim, do humor do carrasco. Confessem, muitas das coisas que você não faz hoje, não faz por medo mesmo inconsciente de ser ridículo. E pior, as vezes não é nem ser ridículo, é de se sentir ridículo. Ah, o homem cresce subjugado à avaliação alheia. Desde moleque na escola, quando sente vergonha da mãe que vai te buscar e te tasca um beijo nas bochechas. Os outros vão pensar o que? Que você é mulherzinha, menininho da mamãe. Amanhã vão te bater e não te escolher pro time de futebol. Bobeira! Que nada, os outros também tem mãe, e toda mãe beija a gente. Se a sua não beija, para de encher o saco e vai arrumar uma mãe melhor, como a minha. Era isso que a gente devia dizer nessas horas. Mandar o outro às favas, de uma maneira mais atualizada dizendo: vai tomar no cu. Penso inclusive em ensinar aos meus filhos a importante lição de mandar os outros tomarem no cu. Quando o pequeno vier me contar a tiração de sarro recebida na escola, será o momento, e direi: "filho, sente-se aqui, quero lhe ensinar uma lição para o resto de sua vida. Quando te encherem o saco, abusarem da sua cara, não se sinta intimidado. Faça este gesto que papai te ensina agora. Isso, levante a mão, vamos deixar o dedo do meio sozinho. Pronto. Não me pergunte o nome disso, nem as raízes de sua significação, somente saiba o que representa neste momento. Representa que você está mandando a outra pessoa cuidar da vida dela, ir ver se você está na esquina, falando pra ela ir catar coquinho, e você nessa hora vai se sentir bem, livre". Quando crescer, meu filho aprenderá a usar o ensinamento em outras situações da vida. Quando largar o emprego alienante pra achar coisa melhor, quando interromper as horas de estudo no final de semana pra sair com os amigos, enfim, quando fizer as escolhas baseadas na sua vontade e não no que os outros pensam se é certo pra ele. Vai também aprender a não se preocupar com coisas mínimas, como esquecer a chave de casa (foda-se, dá uma volta por aí) ou perder o ônibus (foda-se, toma coragem, liga e pede carona pra colega bonitona). Vai saber que tudo é baseado na vontade de viver e ser feliz, e na profunda sensatez de mandar a morte ir tomar no cu.  
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21 julho 2011

Recebe e deleta depois, meu negão

O meu email do trabalho é o verdadeiro paraíso dos spams. Já deixei de ficar puto com isso. Acho graça da maioria, porque são tentativas patéticas de golpe. Mas, hoje, um deles foi demais. Confere aí. De cara eu já ria da palhaçada, mas quando chegou ao final, na última frase, aí sim qualquer chance de me enganarem foi zerada.





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19 julho 2011

Bambuí: volte sempre

Sujeito subia a serra de uma rua torta em Bambuí. E eu lia na rodoviária da cidade: volte sempre. Mas como voltar? Como voltar, se naquele dia eu queria fazer xixi e o banheiro fedia de um jeito insuportável. Muitas coisas são suportáveis antes de induzir ao vômito. O banheiro de Bambuí, não. O banheiro da rodoviária de Bambuí se transformou pra mim no mais tenebroso cartão de visitas de uma cidade. Em vez de um Cristo, um personagem menos santo me aguardava de braços abertos. Um toco. Um toró. Uma obra como muitos cidadãos bambuienses dizem. Como poderia caber tanto fedor em um objeto (?) de uns 20 centimetros? A ciência deveria estudar o poder de compactação de moléculas naquela merda. Vida apertada dessas moléculas. E a gente ainda reclama da saída do cinema lotado, do ônibus. Pior seria sair de um cinema lotado, a passos de tartaruga, e um sujeito fazer aquilo que vi em Bambuí lá no meio de toda a gente. É pior que incêndio. Inclusive, acho que deveria ter uma saída de emergência nesses casos. Quando a senhora gorda demorasse tanto para entrar e sair do banheiro apertado do ônibus, depois de despejar meio quilo daquelas moléculas acima citadas, uma alavanca deveria imediatamente avisar ao motorista: Para que fedeu! Uns minutos de ar fresco na estrada já melhorariam a 'mufunha' desconcertante. Mas no banheiro da rodoviária de Bambuí não havia ar. Não havia nada. Se o universo começou do nada, o nada era um banheiro sujo de Bambuí. Ali gases se contorciam em uma dança escorregadia de odores. Acredito que o perigo de combustão era constante. Quem diria que ali em minha frente no banheiro de uma cidade mineira, um protótipo da origem do universo se manifestava. E o ser que fez aquilo nem suspeitava ter criado uma miniatura do Big Bang. Uma Big Bosta. Pena que não tive capacidade pulmonar de aguentar aquilo dentro de mim. A visão era horripilante, mas o cheiro era o vencedor. Voltei pro ônibus e sentei na poltrona como se presenciasse o pré-tudo. Me sentia em lugar sem inferno, nem céu. Estava em Bambuí. E o sujeito subia aquela serra em zigue-zague, feito uma formiga. E o sujeito limpava a testa com um lenço. Há poucos minutos tinha cagado um universo.
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