30 junho 2009

Diálogo do dia: playboy pedindo trocado no semáforo

Sujeito com pinta de playboy pedindo no semáforo: beleza?

Eu: beleza.

Sujeito com pinta de playboy pedindo no semáforo: cara, eu tô atordoado. Briguei com a família e tô pedindo dinheiro pra tomar pinga. Cê pode me ajudar?

Eu: pra tomar pinga?... toma aí 20 centavos.

Sujeito com pinta de playboy pedindo no semáforo: De grão em grão a galinha enche o papo.

Eu: é isso aí.

Sujeito com pinta de playboy pedindo no semáforo: E o jogo ontem, e a virada hein?

Eu: é...

Sujeito com pinta de playboy pedindo no semáforo: falou, brigado!
Leia Mais ››

27 junho 2009

Diálogo do dia: festa junina sem santos e de barulho autorizado

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos: É de onde?

Atendente: da AMA.

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos: É aí que recebem reclamações sobre barulho?

Atendente: Sim.

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos: É que tem uma igreja fazendo uma festa junina ao lado da minha casa e o barulho tá absurdo!

Atendente: Qual o nome da igreja?

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos: Videira.

Atendente: Eles tem autorização pra fazer barulho até as 2 da manhã.

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos: Ah, é? E quem autoriza isso?

Atendente: A própria AMA.

Trabalhadora, católica, pagadora de todos os (altos) impostos:... tá.
Leia Mais ››

26 junho 2009

Maicon Diequissu

Eu não tenho o Thriller. O disco do Michael Jackson que vendeu trocentones milhões de cópias, o mais vendido da história da música. Aliás, eu nunca sentei e escutei esse disco. Mas não importa. Eu, você, meus pais e provavelmente até meus cachorros nunca ficaram imunes ao fenômeno pop Michael Jackson. Não dava pra ficar. Na escola a molecada tentava fazer a dancinha. Na TV os clipes tocavam o tempo inteiro, na rádio a mesma coisa. Isso é ser pop. Quer dizer, ele foi o ícone máximo do pop. Ninguém nunca chegou nessa patamar. E aí é que a casa caiu.

O Michael Jackson é o ápice do que o pop, o lance de cultuar/ser uma celebridade (que porra de palavra se usa aqui? Celebrização???) e a inflação de um ego pode chegar. O molequinho que desde pequeno foi talhado para ser um astro, se transformou no rei do pop. Se igualou ao Elvis, outro rei. Daí, pode perceber, um monte de atitude dele demonstrava que isso não era o bastante. Tinha que ter mais. Mas também, ele podia ter esse 'mais', não podia? Se de alguma maneira ele se igualava ao Elvis, ele foi além, casou-se com a filha do rei. Se de alguma maneira ainda havia os Beatles, sempre lembrados como o grande fenômeno pop, ele foi lá e comprou as músicas dos Beatles, o maior conjunto das mais belas canções já feitas por um único artista, no caso, os 4 de Liverpool. Se antes ele olhava no espelho e não gostava da juba black power, podia alisar. Mas isso era pouco, agora podia bem mais. Mais que qualquer um outro negro que dá um tapa 'branco' no visual black (costume comum nos anos 80 e que agora em tempos de Obama não existe). Podia afinar o nariz, clarear a pele e implantar um queixo de Humberto Martins (tá, ele não conhecia o Humberto Martins, mas foi quem eu lembrei). Podia se reconstruir. Tudo era possível. Um mundo só dele. Como a Terra do Nunca, do Peter Pan. Aliás, que ele foi lá e comprou também. A figura mais pop de todas, em todos os sentidos, virou um monstro. Um lance realmente bizarro. Mais amedrontador do que a maquiagem do clipe de Thriller. A música, a dança, a arte, já tinham ficado em milésimo plano. Tudo o que veio depois do Thriller foi só pra constar, pra permanecer ali no estrelato, fazendo shows, vendendo mais discos.

É curioso o fato dele ter morrido poucas semanas antes de voltar à vida artística. Era um momento de dura e cruel realidade pra ele. Já não tinha mais Neverland. Já não tinha mais o topo das paradas de sucessos. Já não tinha mais metade das músicas dos Beatles e nem a filha do Elvis. Tinha dívidas. E também tinha de voltar a fazer aquilo que fazia desde a primeira década de vida. Dançar, cantar e ganhar dinheiro. Cansativo, não é?
Leia Mais ››

24 junho 2009

O trem de doido apresenta: Música caseira - Episódio de hoje "Shes a lady"

O trem de doido tá cada vez mais multimídia.

Essa abaixo é a minha primeira contribuição depois de brincar de gravar música em casa.

Comecei com uma versão de uma música muito farofona, mas muito legal também. É 'She's a lady', do Tom Jones. A música é 'Las Vegas' demais e eu fiz um negócio mais comedido. A qualidade ainda é um pouco precária, mas é um troço honesto e "quentinho e macio do meu bolso" (a vida adoidado, Curtindo. 1986).

No mais, a voz que consegui é algo meio 'cinco balas halls duma vez na boca'.

Abaixo, a original



Mais abaixo um pouco, a minha versão

Leia Mais ››

12 junho 2009

The real thing

Eles voltaram



"reunited and it feels so good
reunited 'cause we understood
there's one perfect fit
and, sugar, this one is it
we both are so
excited 'cause we're reunited, hey, hey"

11 de junho de 2009, Brixton Academy, Londres.
Leia Mais ››

06 junho 2009

Dialogozinho do Dia: John Lennon vive em São Paulo

Eu: Então quer dizer que você é fã dos Beatles?

Garotinha de 12 anos: Isso, gosto muito.

Eu: E como você conheceu os Beatles?

Garotinha de 12 anos: Ah, foi na TV. Minha mãe também gosta.

Eu: E por que você gosta dos Beatles? O que acha mais legal?

Garotinha de 12 anos: Das letras e das danças.

Eu: Er... e você já procurou pesquisar também sobre a vida deles?

Garotinha de 12 anos: Sim, eu vi que a fama deles agora acabou. Aí eles se espalharam pelo mundo. Um deles vive em São Paulo, sabe. Mostrou até a loja que ele tem lá, escrito "Beatles".

Eu (!!!?): Uai, é... bom... ó, brigadão então, viu.
Leia Mais ››

01 junho 2009

Enj ot y

Sun Xiaoxu levanta cedo pela manhã e prepara sua sopa de arroz. Bebe também um copo de leite de soja. Raramente come ovos cozidos ou um pastel frito. Junto de outras mulheres de seu bairro vai até à fábrica, que fica distante cinco quadras de sua casa. Ainda é bem cedo e faz frio. Elas andam em silêncio. Naquele dia, Sun acordou com uma dor forte entre os dedos médio e anular. A dor a acompanha há algum tempo e tudo que ela faz para tentar amenizar aquilo é colocar um cataplasma de ervas secas trituradas. O calor no pano suaviza o problema. Mas lá fora faz frio. Sun suspeita ter reumatismo, mas deve esquecer a doença. Hoje, o trabalho será dobrado na fábrica. Hao li Ming, o patrão do lugar, anunciou uma grande venda para a semana. O trabalho será dobrado. O salário diário ganha um acréscimo de 50%. “Tudo bem”, Sun pensou. Pensou apenas, não disse nada para Wen Ming, seu filho de 15 anos. Não havia motivo. Wen foi para escola e no final do ano deve fazer um teste de capacitação. Deve tirar a melhor nota para continuar os estudos. Hoje, Wen não queria se levantar, fazia frio e o sono era pesado. Sun pensava que se fizesse calor seu filho seria o melhor dos alunos. Estaria sempre animado e feliz para os estudos. O trabalho de Sun consistia em desenrolar o tecido e cortar na medida certa. Toda a produção daquele dia era de toalhas de praia. As toalhas são azuis, possuem desenhos coloridos e uma frase em inglês que Sun não consegue ler, muito menos entender o significado. Sun decide ler em voz alta o que está escrito. O som que sai de sua voz, baixo e manso, sussurra algo como: “enj ot y”.

Maria Elizabeth nem precisa do despertador para acordar. O forte sol que entra pela janela é suficiente. “Já acordo suano”, comenta com a filha, Shyrlei. É sexta-feira e a empregada doméstica se prepara para o fim de semana. Ela, Shyrlei, o genro e os netos vão viajar. Darley ganhou folga e conseguiu a perua emprestada na oficina. Todos vão acampar às margens de um rio. Maria precisa comprar bolacha e refrigerante para as crianças. Ela desce do ônibus que a leva para a casa de sua patroa, no centro da cidade. O ônibus lotado faz a sensação de calor aumentar. “Nem adianta banhá”, comenta Maria para uma desconhecida. Já que é assim, ela resolve mudar de trajeto e passar em algumas lojas do centro. Vai andar mais. “Cada passada é um pingão desceno do subaco pras costa! Calorzão, credo”, matuta consigo. A mudança de trajeto deve atrasar sua chegada à casa em que trabalha. Pendurada na porta de uma loja, Maria vê uma toalha de praia. Lembra que pretende pegar sol quando estiver no rio. A vendedora da loja dobra a toalha que Maria decide levar e guarda em uma sacola. Quem olha para a sacola transparente pode perceber, entrecortada pelas dobras, uma frase escrita na toalha: “enj ot y”. Ao chegar em casa à noite, Maria mostra a toalha que comprou a Shyrlei que lê em voz alta: “enjoy a hot day”.
Leia Mais ››