31 janeiro 2009

O Campeonatinho


Pode parecer uma coisa esquizofrênica, mas eu brinco de 'campeonatinho' quase todo dia. Calma, vou explicar e você vai se identificar com isso. Até porque, eu acredito que quase todo mundo, apesar da crise (tudo hoje pode vir acompanhado do aposto 'apesar da crise' que vai ficar beleza) tem essas manias abaixo citadas.

O que eu chamo de 'campeonatinho' é criar competições em pequenas situações. O adversário é sempre alguém ou um objeto. Vou dar um exemplo pro entendimento ficar mais fácil. Eu estou no supermercado, já peguei minha quase dezena de produtos e me encaminho para fila. Vou pegar a fila rápida. A fila rápida sempre tem aquele curralzinho, já viram? Geralmente o curral é cercado de comidas repletas de gordura trans e revistas. Tenho ceteza que a combinação revista Contigo e Doritos deve, pelo menos, diminuir a vida da pessoa uns dois anos. Bom, mas voltando ao 'campeonatinho'. Sempre que eu vou pro curralzinho, reparo que em sentido contrário outra pessoa também se direciona para a fila. Olha, eu não posso deixar esse sujeito entrar primeiro que eu. Pelas regras do 'campeonatinho' eu tenho que entrar na fila primeiro. Meio tentando disfarçar, na elegância, eu aperto o passo. Às vezes, sinto que o adversário sabe da competição, ele também anda mais rápido.

Entenderam?

Pois é. Tem o 'campeonatinho' aqui no prédio em que  moro também. Por exemplo, se eu vejo que em uma das vagas um sujeito entrou dentro do carro no mesmo momento que eu, ganha quem ligar o carro, engatar as marchas e chegar na frente no momento de abrir o portão eletrônico. A sensação de deixar um vizinho comendo poeira pode ser uma das coisas mais insignificantemente prazerosas do dia-a-dia de uma pessoa. Nesse caso, existe também a modalidade 'embalão'. Consiste em, caso fique para trás e o vizinho abra o portão eletrônico na frente, ir no vácuo dele, ou seja, pegar o 'embalão' sem ter de parar e abrir o portão de novo. Eu sei, é meio doente. Mas é bem inofensivo, tenham certeza.

Aliás, o trânsito é prodígio em oferecer opções de 'campeonatinho', mas é bem perigoso. E também não quero ser um daqueles que vê outro carro dando seta pra mudar de faixa e acelera. O trânsito já é violento demais e é um lugar que não cabe truculência, é melhor ficar na defensiva, apesar de em alguns momentos ser difícil. Tarefa pro mestre Miagy. Mas aí, nesses momentos, rola o 'campeonatinho mestre zen'. Consiste em manter a calma e paciência em situações estressantes e irritantes. Confesso que esse é um 'campeonatinho' positivo. Essa é uma competição mais longa, eu mesmo tenho marcas, posso até chamar de recordes de momentos em que a reação explosiva foi controlada por muito tempo.

O 'campeonatinho' dos sósias é um dos mais divertidos. Pode ser feito em qualquer lugar. Você está na sala de espera do médico junto de outras pessoas. O desafio é sair encontrando sósias para todos. Vale bicho, personagem de desenho animado, personagens da história, música e até participantes do BBB. Esse campeonatinho também tem categorias avançadas. Para mestres. Uma das mais geniais foi desenvolvida por um amigo meu, o Felipe, vulgo Dr. Schmeichel, depois de assistir o filme 'A Mosca". Consiste em encontrar a porcentagem de semelhança de cada um dos sósias de que a pessoa analisada foi composta. Por exemplo, 'olha, aquele cara lá, ele é 60% Milton Nascimento e 40% Paulo Maluf'. É divertidíssimo. Uma outra variante é, após identificada a simbiose, batizar o indíviduo. No caso citado acima, ficaria algo com 'Paulintom Naciluf' ou ainda 'Miulo Malufento'. 

Bom, apesar disso tudo que contei, eu sou um sujeito pouco competitivo. Não me importo em perder. Sei perder. Acho que o mundo seria bem melhor se as pessoas fossem menos competitivas. Acho que, por exemplo, todos estariam mais tranquilos (sem trema), apesar da crise.

PS. Tá eu confesso. Rolou o 'campeonatinho' de ter de usar 'apesar da crise' no final do texto. 


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20 janeiro 2009

Uai? Nóis pode?

E aí, será que tem gente se enchendo de esperança com a posse do Obama? Não falo dos ianques. Falo do goiano, do nordestino, mineiro, do carioca da favela. Falo do sujeito que não canta slogans como "Yes, we can" e "USA, USA". Não falo dos dos mais de 2 milhões de pessoas que enfrentam 6 graus negativos em Washington para assistir à cerimônia de posse. Dos ianques, esse tipo de sentimento, esse 'baratão', é obviamente normal. O sujeito vai assumir a presidência dos país deles. E é esse o ponto.


“Uai sô, tomara que ele faça umas coisas boas, né?”. Ouvi essa frase ontem de um brasileiro, trabalhador, assalariado. É claro que as medidas do pacote econômico do Obama podem influenciar a economia brasileira, do mesmo jeito que a crise lá atrapalhou a vida por aqui. Vide as demissões, o aumento do desemprego.


No panorama mais positivo e até realista, o pacote do Obama vai ser bom pros USA (sigla em inglês, mesmo). A economia de lá vai reaquecer e eles terão mais uma vez saído de uma crise, melhores do que antes. Uma potência mesmo. Sim, eles podem. Já o mesmo brasileiro que depositou esperança no Obama (aliás, nunca vi um povinho gostar de botar fé em tudo quanto é coisa feito o brasileiro) vai continuar aqui, vivendo em um país eternamente em crise.


Falta de crédito, de poder de compra, de emprego, isso tudo o brasileiro conhece desde que nasceu. E não vai ser o Obama que vai mudar isso. Ele é presidente dos EUA, USA. Na realidade, ele é, e ao mesmo tempo, não é, presidente da América (nunca entendi isso, se eles são América o que nós somos?). E apesar de toda a influência dos EUA sobre o mundo, não me parece que eles defendam, buscam, nem sequer cogitam uma prosperidade mundial. As medidas são para garantir a riqueza do povo de lá, dos EUA. Naquele país só olham pra fora quando alguém os ameaça internamente.


Aqui o cara que perdeu o emprego na mineradora que parou de exportar vai ficar com a crise. A mesma de sempre. A crise que a gente conhece antes da 'crise' deles, os USA. Sem emprego, com dívidas. Imagino a cena. Depois de vários dias procurando emprego, o sujeito para em um bar pra tomar um trago. No outro dia, a mesma coisa. No terceiro dia ele já acorda e vai direto pro boteco, jogar uma sinuquinha e tomar um goró.


Hoje, no dia da posse lá na América, a imagem que melhor define esse cenário de esperança/Obama/crise/Brasil é a do Mussum Barack. Uma imagem que circula pela internet esta semana e até em camisetas. Ainda bem que a gente consegue fazer piada dessa situação toda. Diante de uma cobertura babacona e baba-ovo (tem hífen isso?) da televisão brasileira (porra, também é a hora de justificar a existência desses correspondentes internacionais, em Nova Iorque, por exemplo, não é todo dia que temos avião caindo em rio, não) sobre a posse do presidente de outro país, o melhor é tirar onda. O Obama para o brasileiro é um negão boa praça, que fazia graça com uma garrafa de 'mé' na mão. E sabe o que o Mussum diria de toda pompa da cerimônia de posse do Obama? Ele diria: uiuiuizis.

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17 janeiro 2009

Lista de exigências


Estrelas da música mundial sempre tem as “listas de exigências” quando fazem shows. Acho engraçado essas listas, será que se não forem estritamente aceitas e feitas o artista roda a baiana (sempre que uso essa expresão, imagino alguém segurando uma daquelas baianas que vendem acarajé e rodando como se fosse a Mônica tacando o Sansão no Cebolinha) e não canta? Poxa, se ele não cantar, não recebe. Devia ser assim. Mas, sei lá, parece que esse povo pode cagar na cabeça de alguém (imagina isso em uma lista de exigências, hein?) e isso ficar numa boa.


Acabo de ler a lista de exigências do Elton John, o autor da bela canção Nikita (é bonita, vai). Tem cerveja sem álcool, um camarim para receber exatamente seis pessoas, nem mais nem menos, e flores, muitas flores. Entre elas, rosas vermelhas. Sem folhas. E caules sem espinhos. Rosas vermelhas sem folhas, espinhos e que meçam milimetricamente 11 centímetros. O que será que ele vai fazer com elas? Pô, não é possivel. Será que...mente suja, hein... deixa isso pra lá. Ah, e no banheiro deve ter 12 toalhas (por que 12?).


Nesse andouro, eu fiquei imaginando quais seriam alguns itens da minha lista de exigências:

- Bolachas de morango Bono devem ser espalhadas a cada metro quadrado do recinto

- Todo o chão e paredes devem ser cobertos de papel bolha (eu poderia rolar e estourar com o corpo)

- Mexericas devem ser espalhadas por todo o recinto, descascadas e com recipientes com sal ao lado de cada uma delas

- Sabonete Phebo no banheiro

- Caixas de palitos Gina (pra ficar cavucando as unhas enquanto o show não começa)

- 10 queijos Minas, fresquinhos e dos bons

- Café quente a todo momento, sem ter que esperar. O café deve ser forte e não muito doce

- Massagistas de couro cabeludo para mim e meus convidados

- Milhares de balinhas Toffle da Erlan

- Uma celebridade decadente ou emergente local em que eu pudesse cagar na cabeça (ah, vai, não custa pedir)


Depois de concluir alguns pontos da minha lista de exigências, entendo porque pessoas como eu nunca terão listas de exigências. E você, qual a sua?


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14 janeiro 2009

A chapinha de Camila

“Camila, seu cabelo tá fedendo”. Essa frase doeu. Era tudo o que a menina não queria ouvir. Ainda mais as palavras proferidas por seu atual 'ficante'. De tão embaraçosa, a situação só não deixou a menina de cabelos em pé porque a chapinha não deixou. Há dois anos Camila tem os cabelos assim, lisos. Fios que parecem linhas de costura. Antes eram ondulados, mas não lisos. O cabelo dela é idêntico ao de um trilhão de modelos que desfilam por aí. Começa no couro cabeludo, partido ao meio, e vai descendo, frágil, quase morto, até abaixo dos ombros.
Ela lava pouco. Água e alisamento não combinam. E com o tempo, Camila descobriu que o cabelo sem ser lavado vai ganhando uma oleosidade, um ranço que vai deixando os fios mais pregados, pesados. Cabelos da noiva do Drácula. “Minha filha, você nem precisa disso”, foi o que a mãe de Camila falou quando a filha começou a meter chapinha na madeixa. Mas a menina queria comprar o aparelho de derreter as móleculas de cabelo e assim foi feito. No mercado havia várias opções, de laser, íon, cerâmica. Com o aparelho em mãos, por que não usar todos os dias? É claro que Camila viciou no negócio.
Nas viagens, a chapinha é item de primeira necessidade. “Menina, mas onde você vai acampar nem deve ter energia elétrica”, disse a mãe um dia. “O que?! Então nem vou, mãe”. No passeio, a preocupação constante em não entrar na água e estragar a chapinha feita ainda em casa. Era importante sair bem nas fotos, em dois dias estariam rodando pela internet, em fotologs e orkut.
“Ah, ele é escroto”. Foi assim que Camila descreveu o agora 'ex-ficante' para um amiga. Como pode dizer que seu cabelo fedia? Ela precisa fazer pouco caso do sujeito. É claro, em seu íntimo Camila sabia que nunca mais poderia deixar um 'carinha' cheirar seu cabelo. Cheirar, não, chegar perto, agora, é proibido. Foi assim com o primeiro 'ficante' após o escroto. Estavam abraçadinhos e Camila lembrou: “Meu Deus, meu cabelo tá fedendo. Será? Ele vai sentir, eu sei disso”. Fez questão de afastar o moleque, ficar a uma distância segura. Perto mesmo, só pra beijar, mesmo assim, rola uma tensão.
Os anos foram passando. A chapinha esteve na mala quando Camila viajou para fazer vestibular em outra cidade. Antes da prova, uma "alisada básica". Durante os anos de faculdade, muita chapinha. Antes das entrevistas de emprego, o aparelho – já havia comprado algumas unidades - esteve lá, sempre à disposição. Algumas amigas da adolescência até já se permitiam deixar os cachos nascerem. Outras diminuíram consideravemente o uso da chapinha. Só para casamentos e ocasiões importantes. Para elas cabelo liso é "cabelo de festa". Camila não. Sempre foi fiel. O alerta fétido do menino adolescente ficou para trás. Camila aprendeu a mascarar o mau cheiro com uma borrifada extra de perfume.
Camila ontem foi a uma boate. O cabelo amanheceu fedendo cigarro. Mas tudo bem. Durante todos esses ano ela teve a sua lição: é mais importante ser liso do que cheiroso.
A chapinha quebrou?
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09 janeiro 2009

O inimigo

O Superman não me engana. Com aquela capinha vermelha e a franjinha “pega rapaz”, tenho certeza que ele é um baita de um exibido. Um exibido que poderia ser chamado de Superego. O Superman quer tanto atenção que seu disfarce é justamente um sujeito bem medíocre, Clark Kent. Afinal, nem sua indentidade falsa poderia chamar mais a atenção, nem mesmo concorrer por essa atenção. Superman quer ser único. Ele quer salvar a Terra. Quer salvar todos os terráqueos. Seu pensamento é justificável, afinal, aqui ele é um ser muito mais evoluído. Normal que queira ter o planeta aos seus pés. Lex Luthor é seu inimigo. Lex Luthor também quer o planeta aos seus pés. Diz a história que os dois foram criados na mesma cidade, Pequenópolis (que depois na TV apareceu como Smallville). Eles tem muita coisa em comum. E um precisa acabar com o outro. Não há possibilidade de convivência pacífica. Na verdade, os dois são iguais. A luta dos dois é a mesma.
Brasil, década de 70. A oposição contra o regime militar envereda de vez pela opção da luta armada. Sequestros, guerrilha. Foi feito assim em Cuba, na Rússia. Poderia dar certo aqui também. Do outro lado, os militares não aceitavam qualquer tipo de manifestação contrária. O lado certo era o deles. E não me venham com ideologias comunistas. Qualquer livro vermelho era feito para ser queimado. Os militares eram ditadores, o lema era defender e impor suas verdades. Sempre. Voltemos a Cuba, China, Rússia. Lá, milhares, milhões de pessoas foram mortas porque não aceitaram a revolução comunista. Aos poucos, as próprias ditaduras se autodestruíram. Aqui, depois de um processo “lento e gradual”, a ditadura também acabou. A esquerda, os partidos com ideologia comunista surgiram. Ganharam espaço. Ocuparam cargos políticos. Sempre turrões. Sempre chamando quem pensa diferente de porco capitalista. De filhote da ditadura. Feito ditadores, querem impor suas verdades. Direta e esquerda. Eles têm muita coisa em comum. Na verdade, os dois são iguais. A luta sempre foi a mesma.
Superman x Lex Luthor, milicos sanguinários de direita x comunistas maquiavélicos de esquerda. São dois exemplos. Existem trocentos outros. EUA x URSS. Brasil x Argentina. FHC x Lula. Saddam x Dinastia Bush. Vasco x Flamengo. Donatela x Flora. A esposa traída x a amante solitária. Eu x você. Todos são farinhas do mesmo saco. Querem as mesmas coisas. Poder, território, amor, petróleo. Em toda guerra, todo conflito, lutamos contra nós mesmos. Todos os inimigos são extremamente idênticos. Mas são cegos. E não reconhecem a semelhança. Na verdade, não podem. Cada lado estipula o que causa ojeriza no outro. Feito isso, um precisa acabar com o outro. Não há possibilidade de convivência pacífica. Mesmo que na verdade, os dois sejam iguais. A luta é a mesma.
Judeus e palestinos são irmãos de sangue. Judeus e palestinos são extremamente idênticos. Até os velhos testamentos revelam que são todos filhos de Abraão. Até quando querem a mesma coisa, seja o que isso quer dizer, são parecidos. Não reconhecem a semelhança. Cada lado estipula o que causa ojeriza no outro. Não há possibilidade de convivência pacífica. A luta é a mesma. Uma luta idiota para preservar quem eles pensam que são. Guerras assim só acabam quando cada um dos lados for exterminado. Que se matem, então. Mas quem sabe um dia essas guerras nem comecem quando cada lado olhar no espelho e dizer: o inimigo sou eu.




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08 janeiro 2009

Dazed and confused

“Você toca no lugar dele?”
Fizeram a pergunta.
Eu estava ali. Todos também pareciam estar.
Uma sala de fundos. Alguém montava a bateria. Seria o Bonham?
Plant, sentado, ria meio afetado.
Cadê o baixo? Eu não trouxe o meu.
Será que John Paul Jones deixou o dele ali?
Cadê?
Preciso me ajeitar, achar o baixo.
Procuro.
De longe, vejo John Paul Jones. Mas ele vai tocar? Por que não vai?
Foda-se, eu vou tocar.
Saio da sala, três baixos estavam amontoados.
Começo a abrir os estojos. Um era uma guitarra velha. Os outros dois, contrabaixos.
Cordas velhas, enferrujadas.
“Por que eu não trouxe meu baixo!?”, pensava.
De repente meu braço tem cortes, arranhões lado a lado.
Minha mão tem um corte profundo. “Vai precisar dar ponto”, penso.
Ao mesmo tempo alguém chega, bate nas minhas costas e diz: “e aí?”. Era o Jimi Page.
Balbucio algo como “ou, me cortei aqui...”
O relógio desperta. 7 horas e 5 minutos.
Acordo.
Hora de ir pro trabalho.
Enquanto faço café, ainda sinto um corte em minha mão.


Imagina eu ali? Tocando no Led Zeppelin?
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07 janeiro 2009

Os melhores releases do mundo

O trabalho em assessoria de imprensa é mais valorizado por empresas, políticos, sindicatos e até mesmo ING's (Indivíduos Não Governamentais). Bom, valorizado quer dizer que todos esses parecem saber que um bom assessor pode ajudar. Não que sempre paguem bem por isso. Lá na labuta diária escrever “releases” é o que mais fazem esses assessores. Até porque eles precisam demonstrar serviço, encher linguiça (sem trema, hein) nos relatórios mensais. Só que vamos ser sinceros, alguns produtos “vendidos” nos releases não tem o mínimo de consistência. Todo dia eu recebo alguns desses. O que mais me surpreende é o fato de imaginarem que alguém vá pautar uma matéria ou mesmo que seja escrever uma nota sobre esses trecos. O mais engraçado é notar o esforço que os assessores fazem para valorizar o produto e fazer um texto atraente. É quase patético. Pensa que é fácil? Pensa que essa profissão é puro glamour? Nem todo jornalista é o William Bonner, não.
Poxa, suporte de pescoço é foda, hein?
Eis um exemplo que recebi hoje mesmo:
Suporte de Pescoço proporciona conforto durante a viagem de férias (olha a forçada no título que o cara deu!)

Viajar é muito bom e, se aproveitarmos esse momento para relaxar fica ainda mais agradável. Alguns cuidados podem fazer toda a diferença
Viajar de ônibus é uma ótima opção para o fim de ano (peraí, quem disse isso? Por que é ótimo?). Com o objetivo de proporcionar momentos de relaxamento durante a viagem, a (...) traz o Suporte para Pescoço em formato de Lua (tem em formato de Saturno também?). Com formato anatômico, o produto pode ser utilizado durante toda a viagem seja ela aérea ou terrestre. (olha isso...) Nada como chegar ao destino da viagem com a bateria recarregada para aproveitar todos os momentos especiais.
Aí pra encher linguiça o sujeito começa a enumerar uma série de "dicas" para viajar de ônibus, entre elas, o suporte para pescoço em formato de Lua (repare que o cara ainda não escreve baseado nas novas regras do acordo ortográfico, aliás, ele não acentua palavras como Alivio também):

• Alivio para o pescoço: Leve sempre o suporte para o pescoço em suas viagens. Deste modo evitará o aparecimento de dores no pescoço e nas costas!
• Alivio para as costas: Apóie uma almofada atrás das costas. Esta simples ação irá aliviar a pressão exercida sobre os discos lombares, evitando as dores nas costas.
• Descanse os seus olhos: Uma boa máscara de dormir, impedirá que a intensidade da luz nos vôos ou viagens rodoviárias prejudique seus olhos.

O Suporte para Pescoço conta com um fator importante para garantir ainda mais a sensação de conforto durante seu uso, já que o consumidor pode escolher também entre os aromas alfazema/lavanda e camomila (o negócio ainda tem cheiro!), que possuem propriedades naturais calmantes e auxiliam no alívio da tensão, confeccionados em malha 100% algodão, de diversas cores, são ideais para presentear (ah, eu quero um!).




Reparem que o suporte vem com palavras como "boa sorte", "felicidade" e "sucesso". Realmente 'agregam valor'.


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